sexta-feira, 11 de abril de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
o pensamento é um animal selvagem
<<Vejo o melhor e aprovo-o, mas faço o pior>> [Ovídio, Metamorfoses, VII, 20, ss.] O mesmo parece ter pensado também o Eclsiastes [I, 18.], quando disse: <<Quem aumenta a ciência, aumenta a dor>>. Não digo isto com o fim de concluir daí que vale mais ignorar do que saber, ou que não há nenhuma diferença entre o tolo e o inteligente no que diz respeito ao governo de suas afecções, mas, sim, porque é necessário conhecer tanto a potência como a impotência da nossa natureza, para podermos determinar o que pode a Razão no governo das afecções e o que não pode.
(Espinosa / Spinoza, Ética IV, Proposição XVII, Escólio)
...a razão, o saber, a ciência, o conhecimento, não pode determinar tudo, não pode conhecer tudo, não pode governar tudo. Há algo no corpo, na Natureza, que lhe escapa. Mas para que de <uma certa maneira> ela determine, conheça, governe, ela precisa passar, atravessar, conviver com o bem e com o mal. Conhecer, ter ciência, raciocinar, saber o que pode a Razão, o pensamento, saber o que lhe cabe, comporta na sua própria capacidade, é preciso percorrer os extremos, vivência-los, experimenta-los. Só se sabe o que se pode - saber só é poder - em relação a si mesmo, ao corpo, à sua própria Natureza na medida em que mergulha-se em toda sua inteireza, sua amplitude, sua exuberância e miséria, seu vicejo e despejo, esplendor e crepúsculo: <é>-se toda ela...
Não se muda a vida trocando a vida real por um ideal abstrato, por uma norma posta acima dos indivíduos ou por um modelo ao qual o homem deveria se conformar. A razão não pode ensinar nada que esteja contra a natureza.
(Espinosa, Ética IV, Proposição XVIII)
...e nada está contra sua natureza...
Jogando com sua má vontade e com seu mau humor, com esse exercício perverso e esse teatro, o pensamento aguarda uma saída: a brusca diferença do caleidoscópio, os signos que por um instante se iluminam, a face dos dados lançados, a sorte de uma outra rodada. Pensar não consola, nem torna feliz. Pensar se arrasta languidamente como uma perversão; pensar se repete diligentemente em um teatro; pensar se joga em um lance fora do copo de dados. E, quando o acaso, o teatro e a perversão entram em ressonância, quando o acaso quer que haja entre os três uma tal ressonância, então o pensamento é um transe; e vale a pena pensar.
(Foucault, Theatrum Philosophicum)
corpo-pensamento
pensamento-corpo
uma natureza que se fez
sim, o que pode o corpo, e, sim, o que pode o pensamento?
terça-feira, 22 de outubro de 2013
para pitico
Toda en árboles la noche.
Noche toda en árboles.
Toda la noche árboles.
Son nubes los lugares. Árboles por todo, lugares que son árboles, árboles toda la tarde, en mitad de la tarde: la cuesta. El fresno ahora. Espartillares. Parecidos a nubes, lugares que son nubes.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Libro de las mutaciones, II
No. Nunca sabrás de dónde vino todo esto.
En el origen todo era caos, dios antes de dios,
punto central - inmóvil -
de la rueda;
todo fue superponiéndose
con la misma promiscua ansia de los diás;
un país de juguete, un verde de país sin imposibles,
una larga borrachera de siete años
cuando la música marcaba el ritmo de tu furor, de tu rabia,
de tu alegría miserable.
Rugosa, gris pared de cemento ante tus ojos,
oyes tan sólo el exaltado crepitar de Bogotá a las seis de la tarde:
¿Dónde de origen?
¿Dónde otra tumba?
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